Tatuando com o Monge Tatuado

Depois de uma ótima noite de sono, acordamos por volta das 8h30 com os brasileiros batendo no nosso quarto para se despedirem, pois agora só vamos nos encontrar na Full Moon Party. Descemos para a entrada do hotel e ficamos esperando o transporte deles chegar.

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Thiago, Ari, Diego, Heitor e eu.

Quando decidimos vir para Chiang Mai, o Heitor resolveu que gostaria de fazer uma tatuagem com um monge. Nós já tínhamos o telefone, então pedimos para a recepcionista do hotel, a Janny (que passamos a chamar de Tâni), tentar ligar para saber se ele podia nos receber, mas sempre dava ocupado.

Resolvemos ir na cara e na coragem, e se não desse certo, a gente voltava no dia seguinte. Saindo do hotel, fechamos um táxi (aquela caminhonete vermelha) por 800BHT para nos levar, esperar e nos trazer de volta. Tentamos achar um taxista que falasse Inglês para ficar mais fácil, mas não conseguimos, e acabamos fechando com o taxista que nos cobrou mais barato. O templo não é tão longe, fica a cerca de 40 min do centro de Chiang Mai, e a vista é muito bacana.

Campos de arroz pelo caminho

Campos de arroz pelo caminho

Chegando ao templo, eu cobri meus ombros com a minha canga, por respeito ao monge, e ao Buddha e evitei falar diretamente com ele, a não ser quando ele se dirigia à mim. Ah, e ele também não fala Inglês e por isso queríamos um taxista bilíngue, mas como não conseguimos, a comunicação foi toda por sinais, e alguns ‘ok’ eventuais.

Monge Dton

Monge Dton

O Heitor já sabia mais ou menos o que fazer, mas eu não fazia idéia. O monge deixa alguns livros com fotos de tatuagens no chão para você ver. O mais bacana é que você não escolhe o desenho. Pode até escolher o tipo de tatuagem, mas ele não desenha exatamente a mesma coisa, então a sua tatuagem é meio que única, e durante a “sessão” ele fica canta um mantra enquanto trabalha. Além de tudo, ele tatua todo o desenho à mão livre, direto na pele e sem nenhum tipo de decalque, o que torna a coisa mais fantástica ainda. Depois que escolhemos o que queríamos fazer, ele nos mostrou alguns desenhos, mas o que ele tatuou nas costas do Heitor foi um pouco diferente do desenho que ele tinha escolhido. A mesma coisa comigo. O que eu escolhi não é exatamente o que ele tatuou em mim.

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Eu estava muito nervosa. Era minha primeira tatuagem (e talvez a última haha), então eu disse ao Heitor que gostaria de ir primeiro, para acabar com a ansiedade, mas o monge acabou chamando o Heitor.

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Antes de começar, você vê como ele prepara a tinta. É uma mistura de cascas de árvore e mais alguns pós que não dá pra saber o que é. Não sabemos ao certo, mas achamos que tem a ver com o significado do desenho e com a pessoa que ele vai tatuar, também.

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Não é tão higiênico quanto você gostaria. Ele tatua fumando, e sem luvas. Não lava a mão antes de começar, mas passa uma pomada quando você termina. Vai saber…

Enquanto o Heitor estava tatuando, minha ansiedade foi aumentando, e eu mal conseguia esperar para começar a minha. Quando ele terminou, chamou o Heitor para fazer uma espécie de ritual, para mostrar o quanto ele estava protegido. Ele disse para ele se curvar, e pega uma lâmina daquelas de barbear, corta um pedaço de papel, depois um pedaço de plástico, para mostrar que a lâmina é nova, e depois corta as costas por 3 vezes. NADA de sangue!!! Nadinha mesmo. Eu fiquei até assustada a hora que eu vi, e não entendi bem o que estava acontecendo, mas depois o Heitor me explicou. O mais impressionante é que não fica nem a cicatriz! Quando acordamos no dia seguinte, já nem dava pra ver o risco.

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E agora sim, eu começo a minha história… Eu sou muito ansiosa, muito mesmo. Então tudo que eu preciso fazer, eu gosto de ir primeiro. Não curto ficar esperando e olhando… isso me deixa mais aflita ainda.

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Pois bem, quando o monge me chamou, ele baixou apenas parte da minha canga, somente onde ele pudesse ver o lugar da tatuagem, e fez alguns riscos. No início, eu até achei que já fosse a agulha, mas estava muito bom pra ser verdade. E quando ele começou, foi MUITO estranho. A dor não era insuportável, mas eu sabia que ia ficar um bom tempo ali com um monge enfiando uma agulha nas minhas costas, e isso começou a me desesperar. Comecei a suar frio, e parecia que doía ainda mais.

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Nós saímos direto do hotel para o templo, então eu não comi nada, e lógico, comecei a passar mal. O monge me ofereceu água, um pouco de chocolate que tinha acabado de ganhar como oferenda, e pois a mão em minha cabeça entoando um cântico para me acalmar.. e SURPRESA! Funcionou. Fiquei bem mais calma. Enquanto tudo isso acontecia, o Heitor estava lá fora “conversando” com o taxista que nos levou até lá e um Khremer. O taxista falava tailandês, o Heitor português e o Khremer inglês. Ninguém entendia ninguém, parecia a Torre de Babel, e o Heitor ficou até meio chateado por não estar lá dentro enquanto eu passava mal. Voltamos a tatuar, e terminou muito mais rápido do que eu imaginava. Acho que a minha tatuagem não durou nem 20 minutos, mas ela é bem pequena. A do Heitor demorou um pouquinho mais, por volta de 40 minutos.

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A tatuagem é de “graça”. Você não paga nada por ela, mas é comum fazer uma doação ao templo quando o monge termina. Doamos 1000BHT cada, cerca de 30U$ por pessoa. Não acho que seja caro. É uma experiência maravilhosa, e você não tem tantas oportunidades de fazer isso. Sem contar a história por trás de tudo. Aonde mais você consegue fazer uma tatuagem com uma técnica milenar, e ainda mais com um monge? Tailândia, claro.

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Antes de sairmos, o monge nos deu uma medalhinha para proteção. Até nosso taxista ganhou uma, o que me faz pensar que não somos os únicos.

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Depois de toda a viagem de volta, pedimos ao taxista para nos deixar no centro, porque queríamos almoçar alguma coisa diferente. O Heitor comeu aquelas bolinhas de porco (10B) que ele já tinha comido antes. Eu comi um abacaxi (20B), pra variar. Ainda não me adaptei bem a comida. Não gosto muito de ensopados, e o que mais se acha aqui, é isso. Não achamos nenhum lugar muito legal para comer, então continuamos andando. Passamos na frente de alguns templos, mas não estávamos vestidos de acordo, e acabamos não entrando. No caminho, perto de uma escola consegui achar alguma coisa que eu realmente gosto:

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Rolinhos primavera e frango frito (tudo por 60B).

Almoçados e (quase) descansados, andamos mais um pouco e achamos a rua de uma lojinha que vimos no Sunday Night Walking Street onde o Heitor achou uma calça estilo samurai que ele queria comprar. Fomos até a loja, mas não achamos o que ele queria. Saindo de lá, ele me convenceu a andar até o hotel por um caminho alternativo. Eu não aguentava mais de calor, dor nos pés (tenho até uma bolha pra contar história desse dia), e dor nas pernas, mas ele ganhou quando disse que devíamos conhecer a cidade.

Andamos, andamos, andamos… e acabamos andando demais. Quando a gente foi ver, nem os locais sabiam dizer aonde a gente estava. Mas logo descobrimos que não estava assim tão longe.

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Heitor pedindo informação

Chegando no hotel, fomos descansar um pouco e pensamos em sair para jantar, mas deu tanta preguiça, então acabamos ficando por lá mesmo.

O prato (65B) foi uma espécie de yakissoba sem macarrão, acompanhado de arroz. O problema para mim, é que o arroz dele é meio adocicado. Aliás, tudo é meio adocicado, isso quando não é apimentado também. Ainda não me acostumei direito, mas ainda tenho muitos dias para isso. Hahaha O Heitor amou, mas eu só comi metade. Daí ele comeu o dele e o meu. Hahhaha

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Prato do Heitor

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Meu prato

O dia foi super cansativo, então não fomos dormir muito tarde, aliás, a gente capotou. E precisávamos acordar meio cedo porque a gente queria visitar o Wat Doi Suthep perto de Chiang Mai e ir ao Zoo, se desse tempo. Estamos morrendo de saudades de casa, mas dá muita vontade de ficar aqui pra sempre. Chiang Mai conquistou nossos corações, e se algum dia eu tiver a oportunidade de voltar, com certeza, eu volto. (;

**************************************************************

UPDATE:
Pessoal, 

Tenho tido muitos comentários sobre pessoas que gostariam de fazer a tatuagem e infelizmente eu descobri que ele mudou de templo! :(

Por muita sorte, eu consegui o telefone novo dele com a Iara Vilela que comentou aqui, mas ainda não tive sorte com o endereço…
Achei também um site que o post é de 2011, mas o último comentário do cara que escreveu é de Agosto de 2014 e pelo que eu vi, ele se oferece pra levar as pessoas até o Dton, então vale a pena tentar.

Este é o telefone que a Iara passou: 0869138444. Lembrando que normalmente ele não atende e ele também não fala inglês, então sejam persistentes e achem um tradutor! hahaha :)

E esse é o fórum que eu achei (mas está em inglês): http://www.thaiguidetochiangmai.com/lifestyle/sak-yant-chiang-mai-buddhist-tattoo/

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Sobre Erica Oliveira

Paulista, 27 anos.
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26 respostas para Tatuando com o Monge Tatuado

  1. Anelise disse:

    oi!!eu e minha irma estamos acompanhando os relatos da viagem de voces, e tambem estamos em chiang mai..queriamos fazer uma tattoo sak yant tb! voces tem o telefone do monge e o endereço?? muito obrigada!!

  2. Melissa disse:

    Genteeeeee esse post foi O MELHOR ! que historia legal e tadinha da Erica … mas valeu a pena ficou LINDA

  3. Iara Vilela disse:

    Olá, tudo bem?
    Eu e meu marido estamos indo pra Tailândia e queríamos muito fazer uma sak yant. Você poderia passar o endereço/telefone do local?
    Muito obrigada, seu post foi muito esclarecedor! :*

  4. natalia disse:

    oi Erica achei muito legal o post. Eu vou para Bangkok, phuket e phi phi (por enquanto) tu sabes algum lugar nessas cidades que eu possa fazer essa tattoo, ou onde que eu possa procurar? obrigada um beijo

    • Oi Natália!

      Infelizmente, nós só ficamos sabendo em Chiang Mai mesmo.. mas acho que se procurar no google por ‘blogs, thai, sak yant’ você deva achar alguma coisa.. Caso decida ir pra Chiang Mai, me avise que eu te passo o endereço!

      :)

      Obrigada,

      Erica Oliveira Paim +55 11 95980-3261 | +55 11 4347-0004 erica.rop@gmail.com

      Em 5 de janeiro de 2014 13:59, Thai de Mochila

  5. Pingback: Vídeo de sábado: Sak Yant, tatuagem na Tailândia | FINESTRINO

  6. Juliana disse:

    Olá, Érica! Estou em Chiang Mai, e procurando por templos com monges que fazem sak yants, mas está meio difícil de encontrar! Gostaria de te pedir o endereço do templo!

    Estou seguindo o seu blog e, caso você queria dar uma olhadinha no meu, o link é: tuktukfortwo.tumblr.com

    Bjs,

    Ju

    • Oi Ju!

      Te mandei um e-mail, mas acabei achando o endereço aqui:

      Segue:
      Van até Sunpatong (40 minutos) – Taxi 1000B. Indicações no posto policial** . Templo Tung Keang no vilarejo de Tung Satok – (se vestir adequadamente). Oferta de velas, incenso e flores (?).

      Prha Ajarn Dton Tanawiiro
      Wat Tung Kiang
      Tambon. TungSatok
      Amphoe. San Patong
      Chiang Mai
      Tel: 084 6151770

      Lembrando que ele não fala inglês, então não faça como nós e procure um taxista bilíngue! ahhahahha
      Negocie o preço do taxi também.. as jardineiras são mais baratas.

      E me mande a foto para eu ver como ficou!

      Beijos

    • Ju,

      Amei suas fotos!!!
      Tenho tanta saudade desse lugar! Aproveita muito porque vale a pena demais!!!!

      Beijos e boa sorte com a tattoo!

  7. Rennê disse:

    Olá, achei muito legal a sua experiência com as tatuagens sagradas. Estou planejando ir pra Tailândia em novembro e pretendo fazer uma tatuagem também. Agradeço se você puder me mandar algumas dicas de hotéis, transporte etc. Abraços

  8. Iara Vilela disse:

    Oii Erica, tudo bem?
    Há uns meses vim aqui te pedir o contato do monge para fazer a tattoo. Fui em Chiang Mai e descobri que o “monge tatuador” mudou de templo e consequentemente de telefone. Depois de procurar bastante me passaram este tel 0869138444, porém não me passaram o endereço. Depois de muito tempo consegui falar e realmente a informação se confirma. Só não consegui fazer a minha sak, pois ele não atende por 15 dias entre a última semana de dezembro e a primeira de janeiro. Bom, então fica aí a atualização. Desculpa postar o tel só agora, mas é que eu achei que tinha perdido ;**

  9. Thanks for sharing your story about getting inked! It looks like you had a very similar experience getting a Sak Yant to that of my own :) I’m happy you got to see what so few foreigners are able to while visiting Thailand! Happy travels!

    • Hello Ian!

      Sorry for not asnwering soon.. Thank you for passing by and sharing your experience with us.
      Please tell me your story! I’d love to hear!! You can post it here, send me an e-mail or add me on facebook (all these info you’ll find on my profile – right side of your screen).

      Bye!

  10. Taina disse:

    Olá,

    Estou aqui em Chiang Mai e quero muito fazer uma tattoo com um monge, mas tenho receio com relação a questão da agulha e instrumentos de são descartaveis devido a questão de contaminação. Vc sabe alguma coisa a esse respeito. Se puderes me informar seria ótimo.
    Obrigada

  11. Greta disse:

    Olá, muito legal essa história, vc sabe o significado da sua tattoo?

  12. Helcius disse:

    Boa noite amigo, tudo bom?
    Estou indo agora final de fevereiro para Bangkok e meu maior foco nessa viagem é fazer s tatuagens com o monge dessa forma mais antiga e receber toda as energias e seguir os ensinamentos.
    Voce conhece algum que esteja em bangkok ou cidades proximas?
    Vai ser de uma grande ajuda que irei te agradecer sempre.

    abracos :)

  13. Kerolayne disse:

    Olá, boa tarde!

    Você poderia passar o endereço do templo?
    Irei a Chiang Mai em março.

    Grata

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